quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

The Mindscape of Alan More

(A paisagem mental de Alan More)

Alan More, pra quem não conhece, é um dos maiores escritores de revistas em quadrinhos de todos os tempos. O sujeito, meio bizarro diga-se de passagem, fala no vídeo de uma forma autobiográfica. Expõe sua vida e suas idéias (Coisa que não podemos dissociar uma da outra, sem dúvida). 

More, tem uma visão da existência bastante interessante, que faz o vídeo valer os 80 minutos. Mostra sua compreensão Platônica do universo e quanto mais se aproxima do final, mais o vídeo fica bacana. 

Depois eu completo esse post com mais informaçao sobre o vídeo, preciso reiniciar agora... o computador da le e - e ... e . n to... Besos...


domingo, 1 de fevereiro de 2009

Larica Total

Conforme o post anterior, segue este post sobre um programa da TV Cultura. 

Enquanto eu navegava aí pra saber mais a respeito de uma manifestação o Brazilian Cultural Day dia 08/06/09 às 20:30. O objetivo é que neste dia, neste mesmo horário, todas as pessoas com suas TVs ligadas não assistam o jornal nacional, e mudem seu canal para a TV cultura. (Óiquebaguidoente) 


Procurando entender mais o que é essa manifestação, acabei caindo em um programa que achei irado. Alguem já ouviu falar do Larica Total? É um programa que passa todas as sextas feiras às 00:30 no Canal Brasil. Logo antes de achar esse Blog, tinha entrado no Blog do Alberto, pra quem mandei um link desses videos,  e acabei assistindo um programa de culinária (olha a sincronicidade junguiana: culinária - culinária). 

O Alberto cozinha bem pra caralho e sempre tento sugar algumas coisas sobre culinária com ele, mas o Larica Total me ensinou como fazer as coisas de um modo mais simples (rs). 

O programa, tem como apresentador um personagem tosco, que usa  sempre a mesma roupae está sempre com a mesma cara de recém acordado. Começa sempre com uma abertura neste esilo e depois dá dicas de culinárias para jovens, solteiros solitários, laricados. 

Engraçadíssimo... vou colocar o link dos que eu ví aqui, quem quiser ver todos veja, quem não quiser que veja só um, quem quiser ver mais, procure.

Aprenda a cozinhar com o Paulo Tifenhaler (ou será Paulo Oliveira?). Dá uma olhada no figura!!!




A intenção parece ser fazer um programa tão tosco que fica até parecendo mesmo caseiro. Ha, e tem até os comentários no site do programa que vai embaixo. 

Episódio 1: Frango Total Flex

Episódio 2: Só o macarrão Salva

Episódio 3: Aprendendo a Flambar



ATENÇÃO !!!

*** COMUNICADO IMPORTANTE AOS VISITANTES DO BLOG****
(Ligar musiquinha do plantão da globo - 5 segundos - desligar musiquinha do plantão da globo)

Caros visitantes do blog. Estamos reformulando nosso site. A diretoria informa por meio de nota, que a partir de agora estaremos postando outras coisas além dos atuais assuntos do blog. É uma estratégia afim de aumentar o número dos escassos visitantes (Sim escassos!!! Até hoje achava que ninguem entrava nesse blog, mas percebi alguns comentários). 

Além das idéias delirantes místico religiosas e relfexões pseudofilosóficas, incluem-se agora, conforme o primeiro parágrafo da nota: 
1- Incluem-se entre os assuntos abordados por este Blog  (Abre aspas)Tudo aquilo que o presidente do blog achar devidamente interessante ou engraçado (ponto, fecha aspas)

Desta forma, segue o próximo post sem nos sentir-mos traídores dos princípios deste blog. 

ZeitGeist, Addendum - A crise é de consciência.

A velha atração pelas causas, raciais, sexuais, religiosas extremas e ao nacionalismo radical está começando a desaparecer. Jogamos com as regras erradas, pois no jogo só há uma regra: Saber que somos. A crise é uma crise de consciência. 

Segundo Jiddu Krishnamurti, "não é sinal de saúde estar bem ajustado à uma sociedade profundamente doente". 

A sociedade é composta por instituições, e é com base eu seus valores que compreendemos o mundo. Destas instituições a mais incompreendida é a instituição monetária, que existe como uma das mais incontestáveis formas de fé. Como o dinheiro é criado, as políticas pelos quais é controlado, e como realmente afeta a sociedade são interesses inexistentes na grande maioria da população. 

No atual sistema financeiro, dinheiro é divida e divida é dinheiro. Fernando Herique Cardoso disse uma vez e hoje concordo, depois de ver este vídeo e entender melhor, que dívidas não existem para serem pagas, existem para serem negociadas. Cada dólar na carteira de cada cidadão é emprestado por alguem e devido à alguem. Portanto se todos fossemos capazes de pagar nossas dívidas, não existiria um centavo sequer em circulação. 

Essa é só uma introdução ao filme. Addendum, tem duas horas e uns quebrados de duração. O filme começa mostrando como funciona o sistema monetário e de produção de riqueza (a parte que mais vale a pena ver) e depois propõe um novo sistema de funcionamento baseado não no capital, mas nos recursos (Discordante em alguns pontos até pelo autor da idéia que diz não ser um sistema perfeito mas melhor do que aquilo que está ai). 

Quem me conhece sabe bem, não sou socialista ou comunista. Sou totalmente contrario à idéia que um mendigo deva viver com os mesmos recursos que eu, ou vice-versa. Penso assim pelo fato de que aquilo que eu posso produzir para o sociedade é muito maior que o que o mendigo produz ou pode produzir. Entretanto a distribuição de valores no atual sistema não é baseada na produção de riqueza, recursos ou valores. Ao contrário, tem recursos, ganha dinheiro, quem entende de dinheiro. Só! Ficar rico não é apenas uma questão de quem sabe ou faz mais, mas uma questão de quem empresta, cobra juros ou explora. Justamente por isso, quem ganha mais dinheiro são as pessoas que emprestam ou especulam e não aquelas que produzem algo significativo, enriquecedor. Até aí, isso não é um problema assim tão grande. Nada pior do que está hoje. Agora, imagine se todos estivessem preocupados apenas em existir desta forma e se preocupassem apenas em ganhar dinheiro: ninguém produziria mais coisa alguma. Não tenho pretensões de que o sistema mude. Eu mesmo sei que o sistema é assim e dessa forma considero que tenha de me adaptar a ele, com isso, invisto na bolsa, faço também minhas especulações. A mudança não pode vir de baixo, como propõe o vídeo. A mudança há de acontecer de cima e de baixo. Só um lado não fará mudança alguma no sistema. 

Entretanto, tenho de concordar: 

"Ninguém é mais escravizado do que aqueles que erroneamente acreditam serem livres", Johann Wolfgang von Goethe.


Clique aqui para ver o vídeo
Dica do Rui Castro, por e-mail.

We are all gonna die

Foto de "100 metros" de um cara aí chamado Simon Hogsberg. Suponho que seja norueguês, pelo nome. Fez essa foto chamada: "We are all gonna die - 100 meters of existence".  A foto tem 178 pessoas fotografadas num periodo de 20 dias em um viaduto de Warschauer Strasse em Berlim no verão de 2007. Todos os cliques do mesmo lugar. Apenas algumas pessoas parecem notar que estavam sendo fotografadas. A imagem tem uma resolução excelente. A arte não está nem na foto, nem no nome, mas na associação dos dois. Vale a pena.



Aqui ainda tem o link para o site do fotógrafo.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Percepção maníaca do tempo

Estes últimos dias uma coisa esteve me atiçando a curiosidade. Cheguei até a comprar, finalmente, o "Ser e Tempo" do Heidegger. Livro que eu já enrolava a um tempão pra comprar. Não pelo preço ou dificuldade em achar, simplesmente pelo medo de comprar e não conseguir entender nada (rs). 

O fato é que, lendo um artigo sobre relatividade estes dias fui lembrado de que a velocidade aumenta o tempo, ou seja, quanto mais rápido maior a dilatação do tempo, mais devagar ele passa. Será isso com a percepção do tempo também? 

Na ânsia de chegar a alguma conclusão que me sanasse essa dúvida lembrei do Edison(*). Edison é um paciente que está internado numa enfermaria de psiquiatria por um quadro de mania, o oposto da depressão. A mania, na visão fenomenológica é caracterizada por uma aceleração dos processos mentais e uma dilatação do campo vivencial (traduzindo pro sentido físico da coisa: do 'espaço' vivencial). Cheguei então no começo da semana e a primeira coisa que fiz quando entrei na enfermaria foi procurar o Edison. Como faz todos os dias com todas as pessoas, me recebeu com gritos de bom dia, repetindo até enquanto eu o tentava interromper com a minha pergunta. Interessante foi que ao perguntar ha quanto tempo estava internado, disse que estava desde antes do natal. A percepção de Edison do tempo estava alterada em virtude da aceleração em que ele vivia? Não posso afirmar um modelo causal, já que além da aceleração Edison tinha outras características psicopatológicas, como uma hiperresponsividade à estimulos. Mas o fato é que Edison havia sido internado um dia antes do revellion. Portanto, aumentou seu tempo de internação em quase uma semana. 

O mesmo eu notei com a Glória(*), paciente esta que estava sob meus cuidados, outra maníaca. Entretanto, com sua mente já consumida por anos de doença, sua aceleração não era tão evidente e sua psicopatologia era mais caracterizada por um prejuízo da atenção. Talvez tivesse a atenção prejudicada pela sua aceleração com menos repercussões psicomotoras que o Edison. Glória também tinha sua percepção do tempo aumentada em quase um mês. Estava internada havia cerca de 40 dias, mas julgava estar lá ha dois meses. 

Questão bastante complicada de se entender. Dois gêmes identicos, sendo que um fique na terra  e outro viaje a velocidade da luz, ao se encontrarem, o que viajou estará mais novo, enquanto o outro estará velho.  Portanto, o tempo para o gêmeo que ficou na terra, passou mais rápido, que para o que viajou. Ok, mas e a percepção deles do tempo? Será que o o gêmeo que viajou sentia o tempo passar mais rápido? Provavelmente não. Da mesma forma o Edison, não sente o tempo passar numa velocidade aumentada. Apenas julga que tenha passado. Penso que a melhor forma de sistematizar o entendimento dessa questão é pelo método fenomenológico. Uma coisa é a percepção da passagem do tempo, outra é a passagem do tempo. 

Li outro dia um pseudo-artigo na internet, que supunha que a percepção do tempo estava relacionada com a intensidade dos fatos vividos. Forma interessante de se pensar esse assunto. 

Vou ler o Heidegger pra saber o que ele pensava a respeito. 


(*) Os nomes foram substituídos para preservar a identidade dos pacientes

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Base Jumping


wingsuit base jumping from Ali on Vimeo.

Só precisava guardar esse vídeo e nao tinha como fazer download, então resolvi "embezar" aqui mesmo... fica a dica... ANIMAL O BAGULHO AE!!!! Tem coragem?

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

A vida

A essência (da vida) é a finitude como ser superado de todas as diferenças, em puro movimento de rotação ao redor de seu eixo, a quietude de si mesmo como infinitude absolutamente inquieta; a independencia mesma, na qual se dissolvem as diferenças de  movimento; a essencia simples do tempo, que tem nesta igualdade consigo mesma a figura compacta do espaço. 
Mas nesse meio simples e universal, as indiferenças são também como diferenças, pois esta fluidez universal só tem sua natureza negativa enquanto é uma superação delas; mas não pode superar as diferenças se estas não têm subsistência. E é precisamente esta fluidez que, como independência igual a sí mesma, é ela mesma a subsistência ou a substância delas, na qual elas são, portanto, como membros diferenciados e partes que são para si. 
O ser já não tem o significado da abstração do ser, nem a essencialidade pura destes membros da abstração da universalidade, senão que seu ser é cabalmente aquela simples substância fluida do puro movimento em si mesmo […] 
Portanto, a substância simples da vida é o desdobramento desta mesma em figuras e, ao mesmo tempo, a dissolução destas diferenças subsistentes […] 
Todo este ciclo constitui a vida, que não é o que primeiramente se havia dito, a continuidade imediata e a solidez de sua essência, nem a figura subsistente e o discreto que é para si, nem o puro processo disso tudo, nem tampouco a simples agrupação destes momentos, senão o todo que se desenvolve, dissolve seu desenvolvimento e se mantem simplesmente neste movimento. 

Hegel, em Fenomenologia do Espírito

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Educação digital

O cara se acha pra caralho, mas paguei pau pra aula dele. O video tem cerca de 1 hora e em todos os blogs por onde passou foi visto por inteiro. Eu vi inteiro. Nao que eu tenha tempo de sobra pra ficar uma hora vendo porcaria, não, não é isso. O video é muito bom mesmo. Esse nanico que nos fala no video é um tal de Luli Radfahrer e nesse vídeo ele dá um pincelada sobre o modelo educacional brasileiro hoje  e como a inclusão digital, internet e o pensamento do Sec. XXI deveriam estar na transformação desse modelo. Com didática e fluência fabulosas associadas a um tema interessantissimo, não há como não assistir tudo. 
Agora, dá só uma olhada no currriculo do nanico: 

Luli Radfahrer é Ph.D. em comunicação digital pela ECA-USP, de onde também é professor há mais de dez anos. Trabalha com internet desde 1994, quando fundou a Hipermídia, uma das primeiras agências de comunicação digital do país, hoje parte do grupo Ogilvy. Saiu em 96 para fundar seu estúdio, onde atendeu AlmapBBDO, MTV, FIAT, Leo Burnett, VISA, Volkswagen e Camargo Corrêa. Em 99 foi para a StarMedia de Nova York assumir a Vice-Presidência de Conteúdo. De volta, criou a dpz.com, divisão digital da agência de propaganda DPZ. Em 2002 trabalhou em Londres, com projetos de TV Interativa e comunicação wireless. Voltou como consultor, tendo como clientes a AOL Brasil (redesenho e reestruturação do conteúdo) e o McDonald’s (projeto de conteúdo para o McInternet). Desenvolve, segundo seus amigos, “projetos meio malucos” para empresas no Brasil, Canadá, Estados Unidos e Oriente Médio. Colunista da revista Webdesign, é autor dos livros “Design/web/design” e “Design/web/design:2”, considerados referência para a área, e “A Arte da Guerra Para Quem Mexeu No Queijo Do Pai Rico”, uma análise crítica e bem-humorada do ambiente corporativo.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Plástico seus idiotas!!!

O comediante e crítico George Carlin fala sobre a onda de "Salve o planeta". Consegue com o discurso quebrar com o sempre presente antropocentrismo narcísico caracteristico dos humanos e colocar essa espécie em seu lugar. E termina com uma conclusão perfeita!


domingo, 23 de novembro de 2008

Um lance de dados

Um lance de dados, por Ferreira Gullar, na Folha

QUANDO DIGO que a vida não é newtoniana e, sim, quântica, sei que não estou fazendo uma afirmação científica, mas, como poeta que às vezes sou, valho-me de uma metáfora para baratinar a cabecinha do próximo e fazê-lo se dar conta de que, muitas vezes, dois mais dois são cinco.
Por exemplo, a eleição de Barack Obama para a Presidência dos Estados Unidos. Isso tem lógica? Está dentro do previsível? Agora, depois que aconteceu, parece ter lógica e deve ter, já que aconteceu, mas não a lógica do dois-mais-dois quatro.
Assim que ele se lançou candidato e lhe vi o rosto, achei que não ia dar. Não apenas porque ele fosse mulato mas porque me parecia frágil, sem aquele maxilar de macho: uma aparência de intelectual recém-saído da adolescência. E disse a mim mesmo: "Os americanos não vão entregar o país a esse rapaz".
Isso sem contar que ele se chamava Barack Hussein Obama. No entanto, ele derrotou Hillary Clinton e, finalmente, John McCain. Vai governar a maior potência econômica e política do planeta.
A impressão que se tem é de que o mundo está contente com a vitória dele. E otimista. Todos esperamos que algum milagre aconteça, que esse jovem mulato, inteligente, informado, brilhante e objetivo faça o mundo mudar para melhor. É esperar muito? Certamente, mas sem esperança não se suporta viver.
Tudo bem, aconteceu, o improvável aconteceu. Mas, se aconteceu, foi porque era possível acontecer, e quem, como eu, temia não ser possível equivocou-se. É que a vida é quântica: a simples lógica não dá conta dela.
Será possível, agora, saber quando tudo começou? Foi com os discursos de Martin Luther King, a afirmar que tinha um sonho e que esse sonho era de uma pátria fraterna, sem discriminação racial? Foi durante a luta dos anos 60 pelo Poder Negro? Esses fatos, certamente, influíram, mas é impossível determinar, na natureza e na história, quando exatamente as coisas começam, mesmo porque o curso da existência, por serem tantos os fatores que sobre ele atuam, resulta produto tanto da necessidade quanto do acaso.
A verdade, porém, é que, se Barack Obama não tivesse nascido, isso não teria acontecido. Surgiria um outro mulato inteligente, orador brilhante, carismático para vencer as eleições norte-americanas de 2008? Dificilmente. E o próprio Obama teria ganhado esse pleito, se ele não tivesse ocorrido depois dos dois desastrosos governos de George W. Bush?
Há quem diga que não, não teria, e, se isso for verdade, devemos concluir que Bush, com suas guerras e mentiras, também concorreu para a vitória de Obama. E a crise financeira que se deflagrou no planeta em plena campanha eleitoral não contribui para a vitória do democrata?
Como se vê, a história não está predeterminada. A não ser para aqueles que acreditam no destino -como os gregos acreditavam-, o fortuito também influi nos acontecimentos mais relevantes. Por isso, vale a hipótese de que, se Obama não tivesse nascido, a história que o mundo iria viver daqui para a frente seria outra. Isso não significa que ele seja um predestinado, que nasceu para salvar o mundo.
Nem sei se o governo dele vai ser tão bom quanto todos nós desejamos. Pode ser, pode não ser. Mas, se ele não tivesse nascido de um negro queniano e uma branca norte-americana do Kansas, com esse charme todo, não teríamos agora um presidente mulato na Casa Branca. Isso significa que nenhum outro negro chegaria a governar os Estados Unidos? Não, mas talvez não acontecesse tão cedo.
Porque assim é a história humana: o que acontece poderia não acontecer. Não pretendo dizer que tudo seja mero produto do acaso, e, sim, que a necessidade tem incontáveis modos de realizar-se.
E que, por isso mesmo, as pessoas, por sua capacidade de ação e inteligência, podem influir decisivamente no destino da humanidade.
O certo é que, durante décadas e décadas, naquele fervilhar de gente que é seu país -pessoas que se amam e se odeiam, ambições e traições, filhos que nascem e viram bandidos ou artistas de cinema, poetas ou campeões de golfe-, essa vitória surpreendente era gestada, sem que ninguém se desse conta.
E assim como numa mesa de sinuca, onde se movessem milhões de bolas (desde a queda das Torres Gêmeas, o escândalo Clinton, as mentiras de Bush e a guerra do Iraque), preparava-se a ascensão de um jovem mulato ao mais alto posto a que um norte-americano pode chegar. E chegou. Agora, les jeux sont faits, os dados foram lançados.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Consciência

Isso é gente??? 
O preconceito não é pela cor. 
É pela pobreza, material, intelectual e social!


Chupinhado do Chongas

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Obama e o resgate do espírito americano

A eleição de Barack Obama eletrizou o mundo, mas ainda não é possível saber exatamente a razão. Há uma espécie de prazer transcendental em saber que Bush partiu, e em vê-lo ser substituído por um sujeito que não é de seu partido, que é um novato na política, negro, liberal e jovem, uma antítese completa desses anos sombrios, repletos de um grave conservadorismo messiânico excludente. O terrorismo, mantra dessa administração desastrosa, que anulou todas as demais considerações, deixa de ter o sentido original de urgência e se dilui numa agenda ampla de preocupações, liderada sobretudo pelo aquecimento global e pela irresponsabilidade do mercado financeiro. 

No entanto, por esse aspecto, Obama ainda não é história. Ele é apenas o fim, digamos, “dialético” de uma idéia de poder que desconsiderou a razão como vetor, substituindo-a pelo que Bush chamou de “clareza moral”, termo cuja ambiguidade estudada é ampla o bastante para justificar mentiras e engodos de toda sorte. 

Por essa razão, sobre os ombros de Obama repousam expectativas que vão muito além dos fatos. Dele se espera que seja resgatado o “espírito americano”, o leitmotiv de milhões de pessoas que desde o século 18 ajudaram a transformar os EUA de um pântano num país admirável, que já foi modelo para o mundo. E isso num contexto de crise profunda, não só sob o aspecto econômico, mas de sua própria identidade. 

Obama será história se, em seu governo, conseguir devolver os americanos a seus sonhos. Enquanto isso não acontecer, ele será apenas uma boa notícia – o que não é pouca coisa nessa triste América legada por Bush.

Por Marcos Guterman

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

A Ciência do Coletivo

"(...) Cada célula do nosso corpo é uma parte que está no todo de nosso organismo, mas cada célula contém a totalidade do patrimônio genético do conjunto do corpo, o que significa que o todo está presente também na parte. Cada indivíduo numa sociedade é uma parte de um todo, que é a sociedade, mas esta intervém, desde o nascimento do indivíduo, com sua linguagem, suas normas, suas proibições, sua cultura, seu saber; outra vez, o todo está na parte. com efeito, 'tudo está em tudo e reciprocamente'. Nós mesmos, do ponto de vista cósmico, somos uma parte no todo cósmico: as partículas que nasceram nos primeiros instantes do universo se encontram em nossos átomos. O átomo de carbono necessário para a nossa vida formou-se num sol anterior ao nosso. Ou seja, a totalidade da história do cosmos está em nós, que somos, não obstante, uma parte pequena, ínfima, perdida no cosmos. E sem dúvida somos singulares, posto que o princípio 'o todo está na parte' não significa que a parte seja um reflexo puro e simples do todo. Cada parte conserva sua singularidade e sua individualidade, mas, de algum modo, contem o todo."

Edgar Morin (1996), em Epistemologia da Complexidade, p. 275

domingo, 21 de setembro de 2008

Ex-istencialismo

O ser que constitui o objeto do desejo do para-si é, portanto, um em si que seria para si mesmo seu próprio fundamento. Assim, pode-se dizer que o que torna o projeto fundamental da realidade humana mais bem concebível é que o homem é o ser que projeta ser Deus. E se o homem possui uma compreensão pré-ontológica do ser de Deus, não foram nem os grandes espetáculos da natureza nem o poder da sociedade que lhe conferiram, mas sim Deus representa o limite permanente a partir do qual o homem anuncia a si próprio o que é. Ser homem é tender a ser Deus; ou conforme se prefira, o homem é assediado pelo ideal do "ens causa sui" que as religiões chamam de Deus. Por outras palavras ainda: "Sucede como se o mundo, o homem e o homem-no-mundo só chegassem a realizar um Deus fracassado. Sucede portanto, como se o em-si e o para-si se apresentassem em estado de desintegração em relação a uma síntese ideal.  Não que a integraçao tenha sido efetuada jamais, mas precisamente pelo contrário, porque ela é sempre indicada e sempre impossível". Infelizmente, "a idéia de Deus é contraditória e nós nos perdemos em vão"; o homem é uma paixao inútil. 

Robert G. Olson em Introdução ao Existencialismo, p. 78


É o que eu digo: Somos o universo dando-se conta de sí mesmo.